“res·quí·ci·o – n. m.; fragmento; vestígio; pequeno resto; sobras insignificantes.
ou·tro·ra – adv.; (outra + hora); outro tempo; antigamente.”
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
O tempo é tudo, o tempo é nada, o tempo não são os anos nem os dias nem os minutos, mas aquilo que ele nos deixa, da forma como chega até nós agora, do antes até ao nosso agora.
O êxodo, o abandono, a fuga, o esquecimento. Tudo marcado onde antes havia mão humana, havia cuidado, haviam velhos, haviam crianças, haviam choros, haviam risos. Agora tudo restos de que ninguém sabe, que ninguém olha, que ninguém vê, que ninguém quer. Sobras das quais só o tempo cuida da forma como consegue cuidar, com luz e escuridão, com frio e calor, com secura e chuva, com a passagem de estação após estação. Quanto vale hoje aquilo que antes valeu um lar, um abrigo, um aconchego? Zero. Tudo reduzido a restos sujos e esquecidos dos quais ninguém faz caso, dos quais ninguém quer saber mais. A mudança fez-se na sociedade, nas nossas vidas, nas nossas mentes e nós partimos. Uma partida em que o corte com o passado foi fatal. Uma partida em busca de nós, uma partida em busca dos outros. Uma partida em que encontramos todos e damos conta que afinal não encontramos ninguém. Uma partida da qual, de outrora, apenas deixamos resquícios.
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