Forninhos AgB, Guarda
Portugal Aqui Tão Perto
Fotodocumentário. Humanidades... Cultura... Natureza...
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
Furnas. Muito mais que cozido
Ao vislumbrar a vista ainda no avião,
não restam dúvidas que vamos aterrar num paraíso à deriva no Atlântico, a Ilha
de São Miguel, Açores. E dentro dos infindáveis lugares que esta ilha abriga, há
um que por si só já é uma maravilha, as Furnas.
Ainda antes da descida até ao lugar,
visitámos o Miradouro do Pico de Ferro, um miradouro que nos daria uma visão
total da Lagoa das Furnas não fosse o denso nevoeiro matinal que apenas nos
deixou descortinar a maravilhosa vista a espaços. Uma floresta saída de um
conto de fadas rodeia todo o local e podemos ficar tempo sem fim a contemplar
esta paisagem enquanto a nossa imaginação mergulha no romantismo da literatura
clássica.
Depois da descida curva contra curva e de
já termos o sol a fazer-nos companhia, a primeira caraterística que não deixa
dúvidas onde chegamos às Fumarolas é o cheiro a enxofre que não sendo ao
primeiro olfato muito agradável, acaba por nos conquistar e ficar no recanto da
memória como companhia de um agradável passeio. Daqui contemplamos a natureza envolvente
de outra perspetiva absolutamente arrebatadora e como não poderia deixar de
ser, os vapores que brotam do chão e os buracos que a esta altura se encontram
tapados com o famoso cozido das furnas a apurar. Cerca de cinco horas que ali
ficam até serem recolhidos para fazer as delícias dos visitantes. O crescente
número de mirones revela que está na hora da recolha pelos empregados dos
restaurantes onde depois pode ser apreciado. Ficamos a admirar a beleza daquele
espetáculo que nos abre imediatamente o apetite. Depois lá fomos nós,
inevitavelmente, provar tão famoso cozido no restaurante Caldeiras e Vulcões
que no nosso ponto de vista (e de paladar), faz jus à fama que tem.
Para ajudar à digestão fomos passear
pela vila cheia de encantos. Com a natureza e a floresta verdejante a dominar,
os vapores resultado de processos termogeológicos são um ponto de atração em
Caldeiras das Furnas, um belo parque com trilhos por entre vapores e com uma
água de nascente gaseificada ferrosa que ao segundo golo já é a nossa água
preferida. Na vila tivemos ainda a oportunidade de molhar os pés sentados à
beira rio e apreciar a forma como tudo está limpo e cuidado, fazendo-nos crer
que o que realmente importa aqui são as pessoas e o seu bem-estar. E por falar
em pessoas, que exemplo de simpatia, educação e de bem receber que são os
micaelenses.
De regresso à lagoa exploramos as suas
margens já com um nevoeiro místico a envolver a paisagem. Aqui o tempo para e
tudo parece mais bonito. Pouco antes do cair da noite lá fomos nós até mais um
ex-líbris da Furnas, a Poça da Dona Beija. Várias piscinas naturais de água bem
quente, aquecida apenas pela natureza. Por aqui nos banhamos de piscina em
piscina, qual spa abraçado pela natureza envolvente.
Ao despedirmo-nos da vila não poderíamos
deixar de comprar o pão lêvedo, tão tradicional iguaria local. E mais tempo
tivéssemos nesta acolhedora vila mais visitaríamos como o Parque Terra Nostra e
o seu jardim botânico, as Termas e outros miradouros.
Um agradecimento muito especial à
Beatriz, ao Filipe e ao Benjamim que foram uns anfitriões espetaculares e nos
permitiram ter uma grande experiência nas nossas vidas.
Fotos por Bruno Andrade. Texto por Vera Pereira e Bruno Andrade
quinta-feira, 26 de julho de 2018
terça-feira, 24 de abril de 2018
O Último Moinho do Último Moleiro
O som da água aumenta a cada passada.
Acompanhado pelo Sr. Armando, dirigimo-nos ao Rio Dão, em Porto de Aguiar,
Dornelas para aproveitar as águas que as chuvas deste ano nos trouxeram. Por
fora, uma casinha ancestral de pedra passa despercebida a quem por ali se
perde. Vindo de há muitas gerações atrás, este moinho de água vê-se agora no
seu prazo de validade curto, pois as novas gerações renegaram a sua utilidade,
a sua tradição, a sua potencialidade, fruto do chamado êxodo rural. Chegados ao
moinho a paisagem em redor pede por si só uma visita. O rio em declive com o
seu açude e respetiva cascata inundam-nos os ouvidos com o relaxante som da
água que corre cristalina. O verde da floresta e dos campos envolventes alegra-nos
o olhar e o chilrear dos pássaros inserem-nos num conto de fadas. Todos os
nossos sentidos revigoram e ainda nem chegamos ao que nos trouxe cá. Aliando a
sua simpatia à enorme capacidade de explicar tudo o que tem a ver com a
dinâmica do moinho, o Sr. Armando transforma este passeio numa autêntica visita
guiada. Abrindo caminho por entre ervas que nos dão pelos joelhos, chegamos a
um canal feito de pedra, paralelo ao rio, por onde também corre água. Na
extremidade deste canal, um enorme poço também este de granito, com boca larga
mas que vai estreitando até desaguar no inferno, nome do pequeno piso inferior
do moinho com uma abertura em forma de cabana. Neste compartimento existe uma
estrutura redonda chamada rodízio, que com a pressão da água roda e como está
diretamente ligado à mó acima, fá-la rodar também. A abertura do canal para o
poço ou novamente para o rio funciona assim como interruptor para a mó e
respetiva moagem. Uma telha transparente, a porta de entrada e um pequeno
janelo dão a claridade suficiente a este local que só precisa da natureza e da
mão humana para funcionar. No interior do moinho, sente-se um agradável cheiro
a farinha acabada de moer. Por entre sacas de farinha e uma mó desativada que
também merece uma apresentação, chegamos ao pequeno compartimento onde se
encontra outra mó em pleno funcionamento. Pequenos grãos de milho acumulados na
dorneia, estrutura de madeira em forma de pirâmide invertida, mostram o seu tom
dourado ao escorregarem aos poucos pela quelha e entrando no olho da mó. O
chamadoiro, uma peça de madeira em forma de cruz presa à quelha e com a base na
superfície da mó, recebe o atrito suficiente para fazer rolar o milho, o qual a
sua quantidade se saída também é regulado na dorneia. A mó assenta numa base de
pedra com forma para a encaixar, apenas com uma abertura à frente por onde é
bem visível o tom amarelo da farinha a cair para um monte no tremonhado à sua
frente e que o Sr. Armando ao fim do dia se encarrega de apanhar e ensacar.
Depois de todo este processo, os clientes que antes cá deixaram o produto em
forma de grão, veem agora busca-lo em forma de farinha para assim poderem fazer
o seu pão caseiro no forno comunitário ou até para os caldos que alimentam a
criação. Como em tudo em que a natureza reina, o funcionamento do moinho
durante mais ou menos tempo depende das chuvas com que o Inverno nos brinda,
transportando o rio mais ou menos água, fazendo com que o Verão e o Outono
sejam momentos de pausa neste local digno de um museu-memória.
Por quanto tempo conseguirá o Sr.
Armando continuar este legado ancestral com fim anunciado? Mais uma atividade
que um dia será memória só recordada em registos da época. Os tempos mudam e
alguns têm o condão de não desistir, até ao dia em que já não puderem mais e
outros não haja para a sua continuação. Este é o último moleiro. Este é o
último moinho.
sexta-feira, 9 de março de 2018
Culminar
Cais do Ginjal, Cacilhas, Almada (Samsung Galaxy S7)
Mais fotos em: https://www.facebook.com/poatp/posts/1785782934775373
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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
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