quarta-feira, 29 de abril de 2020

Nascer todas as manhãs

"Apesar da idade, não me acostumar à vida. Vivê-la até ao derradeiro suspiro de credo na boca. Sempre pela primeira vez, com a mesma apetência, o mesmo espanto, a mesma aflição. Não consentir que ela se banalize nos sentidos e no entendimento. Esquecer em cada poente o do dia anterior. Saborear os frutos do quotidiano sem ter o gosto deles na memória. Nascer todas as manhãs."
Miguel Torga, in "Diário (1982)"

domingo, 26 de abril de 2020

25 Abril 2020

"Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade."

Fernando Pessoa (Livro do Desassossego)


sábado, 4 de abril de 2020

A Fonte Velha

As gerações passam, as fontes perduram no tempo e guardam as histórias de cada geração, de cada criança com sede, de cada casal de namorados, de cada criada aguadeira, de cada agricultor suado. A fonte está lá e o barulho da água que cai é ela a contar essas histórias. Basta sentar, fechar os olhos, encontrar a paz e deixar-se envadir pelos mais puros sentimentos. Vai conseguir percebe-las...

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

O Ciclo Dourado do Milho

Uma mão cheia agarra os grãos que pode para lançar ao ar de odor silvestre para depois caírem na terra antes lavrada e que em breve se vestirá de verdes canudos de folha larga. Da colheita do ano anterior, guardou-se o milho necessário para preparar uma nova colheita. Talvez seja o milho um dos produtos da terra que mais atenção requer dos homens e mulheres que antigamente e ainda hoje se esforçam por pintar as paisagens rurais com um bonito verde por lanteiros fora, aqui e além. Depois da sementeira, já com o tempo quente, a primeira sacha. Por entre os pequenos rebentos a terra tem de ser remexida para evitar que as ervas daninhas tomem conta do terreno. Leva tempo pois, e como já estamos no tempo quente, chega a altura das regas. Maioritariamente já há alguma modernização nesse sentido como é o caso dos aspersores, os repuxos que à força de motor cobrem na totalidade o terreno a regar. Ainda assim quem tem mais persistência e tem água na presa, com ajuda da gravidade, faz a rega à moda antiga, com o sacho a guiar o liquido refrescante que dá um novo alento à cultura.
É certo que quem se vê com tal tarefa de labuta diária, tudo o que pensa é levar a cabo a missão da melhor forma possível. Contudo, quem tem o privilégio de poder assistir a esta atividade sazonal pode contemplar uma autêntica pintura rural cheia de cores e sentimentos. O agricultor como figura central duma história tão antiga como o tempo. E não só uma história com imagens mas também uma história com sons, cheiros e tato. Um quadro que sai da moldura e no qual mergulhamos e nos deixamos levar pela imaginação. Ali sentados naquele penedo, os pardais em azáfama na árvore por cima de nós chilreiam belas melodias. O melro que sem dar por nós voa até ao ninho escondido por entre pedras num muro para alimentar a prole com a minhoca que achou perto da presa. O milhafre lá no alto a fazer o cerco a uma qualquer lagartixa esparramada ao sol que absorve o calor no granito duma lage. A leve brisa suficiente para fazer dançar o canavial verde esperança. O penedo por baixo de nós no qual pousamos as mãos e sentimos a rugosidade milenar. O cheiro a fruta madura duma tarde de Verão no campo. O pêssego que arrancamos da árvore logo ali, trincamos, saboreamos e o suco doce que nos escorre pelo queixo. A dança da natureza que nos envolve e nos torna parte dela. A tarefa não são dois dias, a tarefa prolonga-se no tempo desde a Primavera até ao fim do Verão. Até chegar a altura de cortar as bandeira para dar corpo à espiga. E então as canas secam, ficam amareladas, o milho está pronto a ser cortado. Ao deslize da gadanha, o sábio conhecedor da terra e das culturas transforma o chão num tapete dourado que em breve encherá o carro de bois e será levado para a moita, para a desfolhada. E aqui a memória do antigamente toma-nos outra vez de assalto. Ai as desfolhadas à moda antiga. Comunidade e união numa só atividade. Toda a malta junta em algazarra em redor das canas e folhas para sacar as maçarocas douradas, à tardinha ou à noite, com histórias e cantorias e até olhares que mais tarde darão em casamento. E o milho rei? Se na desfolhada houvesse a espiga avermelhada então quem a encontrasse lá teria a sorte de poder beijar todos os presentes, uns com mais vontade que os outros tá claro. E eis que depois de soltos dos carolos, os grãos dourados precisam ainda de ficar bem secos. Nas lajes e eiras comunitárias aproveitando o sol que ainda brilha com intensidade, estende-se o milho logo pela manhã e junta-se pela tardinha dia após dia. Estes espaços de enorme rocha granítica escura, no final do Verão tornam-se dourados e acrescentam cor às pequenas aldeias que vivem à velocidade da natureza. Rodos de madeira conduzidos por mão calejadas espalham o milho formando um lençol que cobre a lage enquanto vassouras feitas de giesta juntam a colheita para não receberem as geadas noturnas que se começam a fazer sentir, até que por fim o ciclo está completo e a ultima varredela é para guardar nas arcas de madeira que os antigos nos deixaras como mostram os buracos do caruncho. E há que tomar todas as medidas pois estamos no campo, os roedores do costume fazem todos os possíveis para poderem deitar o dente ao produto que tanto trabalho deu para ali ter. Enquanto isso, como tudo o que a natureza nos dá não se deve estragar e tem utilidade, as canas secas tanto estrumam as lojas dos animais assim como servem para alimenta-los. Em molhos carregados às costas lá vão sendo utilizados conforme é preciso.
Ter a arca cheia para mais um ano ainda requer cuidado no seu uso pois o seu destino tem as mais variadas utilizações. Além de ter de sobrar o suficiente para mais uma sementeira no ano vindouro, ainda há que alimentar as galinhas, fazer farinha e se der para vender uma parte são mais uns trocos que entram na algibeira. É um ciclo que começa e acaba consoante a natureza, o trabalho e a persistência destes homens e mulheres o permite.
É o ciclo dourado do milho.

















Veja como do milho se faz a farinha num moinho de água que resiste ao tempo neste link:



Veja como da farinha se faz o pão caseiro no forno à moda antiga neste link:


quinta-feira, 18 de julho de 2019

Porto, cidade invicta

Um passeio pela linda cidade do Porto. Iniciado em Vila Nova de Gaia com vista para a mítica Ribeira, subindo todo o centro histórico, embrenhando-nos em ruas e ruelas, visitando as suas imponentes igrejas, Sé Catedral, Torre dos Clérigos, Estação de São Bento, Rua de Santa Catarina, Avenida dos Aliados e aproveitando as sombras das suas antigas praças regressando pelo tabuleiro superior da Ponte D. Luiz I. Terminando novamente com vista para a Ribeira a beber um copo de vinho do porto e a contemplar a beleza das luzes noturnas.
























segunda-feira, 29 de abril de 2019

Complexo de Lagares de Proença-a-Velha – Núcleo do Azeite

O Complexo de Lagares de Proença-a-Velha – Núcleo do Azeite é um antigo arraial beirão, notável exemplo da síntese arquitetónica e funcional onde se concentravam diversos aspetos relacionados com o trabalho das grandes unidades latifundiárias. Instalado na periferia da aldeia, a sua estrutura é complexa devido à integração de diversas funções e equipamentos. Neste caso, para além do cabanal e das palheiras, incorpora dois lagares de azeite, um com duas prensas de vara e pio de três galgas de tração animal, e outro mecânico, com duas prensas hidráulicas. Tem ainda outros elementos mecânicos como uma prensa de parafuso central com dois enormes blocos de pedra como pesos suplementares e pio de fabrico industrial, mas de tração hidráulica. Uma das palheiras é uma galeria de exposição, com a síntese da problemática do azeite em Portugal; a outra é uma moderna unidade de extração de azeite.













Funcionamento:
De 3ª feira a domingo. Inverno (de outubro a março): das 9,30h às 13h e das 14h às 17,30h. Verão (de abril a setembro): das 10h às 13h e das 14h às 18h. Encerra: 2ª feira e feriados nacionais.

Outras atividades:
Visitas guiadas, certames de divulgação de tradições e produtos locais (Festivais do Azeite, dos Enchidos e das Sopas. Workshops e ateliers para o público escolar.

Morada:
Rua da Igreja
6060-069 Proença-a-Velha

Contactos:
Tel: 277 202 900
Fax: 277 202 944
E-mail: ccraiano@sapo.pt, ccraiano@iol.pt

Informação escrita cedida por:
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